Arnaldo Toni Chagas*
Resumo: O presente trabalho tem como objetivo refletir sobre questões que envolvem o objeto de estudo proposto para pesquisa de doutorado no PPG em Ciências da Comunicação (Unisinos - RS), atualmente em processo de qualificação. Trata-se de apresentar uma leitura prévia referente a midiatização dos discursos sobre prevenção as drogas, considerando uma ampla campanha antidrogas realizada por uma ONG com sede em Curitiba (PR) e que foi veiculada em todo o Brasil através dos principais meios de comunicação. Como matriz e fundamento deste trabalho, propõe-se uma reflexão concernente aos debates teóricos atuais sobre as relações entre os campos sociais e o campo dos media, daí, poder pensar nos processos de midiatização envolvidos na produção da referida campanha e de seus discursos.
Palavras-chaves: Campos sociais, midiatização, campanha antidrogas
1) Os campos sociais: autonomização e tensionamentos
A discussão sobre os campos sociais aqui apresentada é preferencialmente preliminar a reflexão sobre o campos dos medias. Primeiro apresentamos alguns elementos de reflexão teórica sobre a autonomização dos campos sociais, logo em seguida tratarmos sobre a autonomização do campo do medias na sua relação com os demais campos. Essas referências são apresentadas como base para refletirmos (durante a pesquisa) sobre a mediatização dos campos e os processos de mediatização envolvidos na produção da referida campanha e seus discursos.
Nessa perspectiva teórica, há uma recuperação do processo de secularização situado no desenvolvimento da modernidade, que a ponta para o surgimento dos campos sociais em termos de sua autonomização, ao considerar, sobretudo, os diferentes domínios da experiência que engendrou a constituição de campos de saberes específicos. A instituição religiosa sofre um declínio, passando não ser mais referência fundamental na orientação dos sujeitos que buscam outras formas de adaptação social e cultural nas sociedades modernas, ela deixa de ser o quadro “unificador da experiência”. Portanto, é o processo de autonomização e legitimação dos campos sociais que passam a regular a experiência na modernidade.
Os campos, então autônomos, com seus saberes específicos, procuram impor, segundo Rodrigues (2000), seus quadros próprios de sentido em ordem da regulação da experiência dos sujeitos. É nesse contexto que emergem os saberes específicos, ainda que alguns campos se apresentem com mais autonomia do que outros. A fundamentação racional da experiência moderna está associada às novas modalidades do saber, um saber moderno especializado com uma nova explicação dos fenômenos, daí, temos o surgimento da figura do especialista1, substituindo o sábio das sociedades hierquicas, tradicionais.
Os campos, então autônomos, com seus saberes específicos, procuram impor, segundo Rodrigues (2000), seus quadros próprios de sentido em ordem da regulação da experiência dos sujeitos. É nesse contexto que emergem os saberes específicos, ainda que alguns campos se apresentem com mais autonomia do que outros. A fundamentação racional da experiência moderna está associada às novas modalidades do saber, um saber moderno especializado com uma nova explicação dos fenômenos, daí, temos o surgimento da figura do especialista1, substituindo o sábio das sociedades hierquicas, tradicionais.
Esteves (1998) concebe os campos sociais como unidades básicas da estrutura da sociedade moderna, salienta que “a noção de autonomia, não significa isolamento, é preciso uma atualização constante em função da própria dinâmica social que essa mesma modernidade demanda” (Ibidem, 1998, p. 113). Assim, o autor enfoca a “dinâmica complexa de diferentes campos sociais autônomos”.
A concepção de campos sociais assumida nessa proposta é baseada em abordagens teóricas que concebem as relações entre os campos como dinâmicas e tensionais. Não há relação pacífica entre eles, pois, são esferas complexas de constantes diálogos: uma rede de interações, negociações, disputa e domínio de uma experiência em uma determinada área, logo, os campos disputam sentidos, negociam pontos de vistas, etc. Bourdieu (1998 a, 1998 b) vê os campos como esfera de disputa e domínio de uma dada experiência; um espaço de luta de agentes e de instituições pelo monopólio da violência simbólica legítima no seu interior e pela posse do capital próprio desse campo. Assim é que se pode falar, segundo o autor, do campo religioso, político, médico, artístico, educacional, etc.
Rodrigues (2000) e Esteves (1998/2000) também vêem “tensionamento nos campos”. Existe um efeito dessa tensão “sobre a experiência que resulta do confronto entre campos autônomos, cada um deles com a pretensão de regular um determinado domínio da experiência, a partir da delimitação de um determinado quadro de sentido” (Rodrigues, 2000, p. 191). O segundo autor citado, concebe os campos na modernidade operando num contexto social complexo, “resultado da pluralização das instituições, organizações sociais e papéis sociais - o que exige a criação de mecanismos institucionais de estabilização - redução da complexidade” (Esteves, 2000, p. 118). O autor relacionando teoria sistêmica e campos sociais, critica a primeira priorizando a segunda, daí, vê dois aspectos que marcam a diferença entre elas: o aspecto macrossociológico e microssociológico. O “macro...” busca a estática e a dinâmica social, nesse caso, a teoria dos sistemas reforça a ordem da estabilidade. Ela considera as tensões como meros acidentes, não prioriza a mudança social. A ordem das transformações sociais encontra-se “micro...2”. A evolução social consiste num processo lento e prolongado de micros mudanças geradas nos (e pelos) campos sociais. A estrutura social e os fatores de sua variação, frente sua dinâmica de funcionamento, são parte do mesmo processo.
¹ Grifo meu.
² No aspecto microssociológico, Esteves (2000) expõe a clara diferença entre a teoria dos campos sociais e a teoria dos sistemas.
Por fim, a tensão entre os campos, por exemplo, aponta para um “debate interminável entre o político, o médico, o econômico, o jurídico e o religioso acerca das questões da droga3 ou da despenalização do aborto (...) em ordem à regulação da experiência dessas questões” (2000, p. 192).
A concepção de campos sociais assumida nessa proposta é baseada em abordagens teóricas que concebem as relações entre os campos como dinâmicas e tensionais. Não há relação pacífica entre eles, pois, são esferas complexas de constantes diálogos: uma rede de interações, negociações, disputa e domínio de uma experiência em uma determinada área, logo, os campos disputam sentidos, negociam pontos de vistas, etc. Bourdieu (1998 a, 1998 b) vê os campos como esfera de disputa e domínio de uma dada experiência; um espaço de luta de agentes e de instituições pelo monopólio da violência simbólica legítima no seu interior e pela posse do capital próprio desse campo. Assim é que se pode falar, segundo o autor, do campo religioso, político, médico, artístico, educacional, etc.
Rodrigues (2000) e Esteves (1998/2000) também vêem “tensionamento nos campos”. Existe um efeito dessa tensão “sobre a experiência que resulta do confronto entre campos autônomos, cada um deles com a pretensão de regular um determinado domínio da experiência, a partir da delimitação de um determinado quadro de sentido” (Rodrigues, 2000, p. 191). O segundo autor citado, concebe os campos na modernidade operando num contexto social complexo, “resultado da pluralização das instituições, organizações sociais e papéis sociais - o que exige a criação de mecanismos institucionais de estabilização - redução da complexidade” (Esteves, 2000, p. 118). O autor relacionando teoria sistêmica e campos sociais, critica a primeira priorizando a segunda, daí, vê dois aspectos que marcam a diferença entre elas: o aspecto macrossociológico e microssociológico. O “macro...” busca a estática e a dinâmica social, nesse caso, a teoria dos sistemas reforça a ordem da estabilidade. Ela considera as tensões como meros acidentes, não prioriza a mudança social. A ordem das transformações sociais encontra-se “micro...2”. A evolução social consiste num processo lento e prolongado de micros mudanças geradas nos (e pelos) campos sociais. A estrutura social e os fatores de sua variação, frente sua dinâmica de funcionamento, são parte do mesmo processo.
¹ Grifo meu.
² No aspecto microssociológico, Esteves (2000) expõe a clara diferença entre a teoria dos campos sociais e a teoria dos sistemas.
Por fim, a tensão entre os campos, por exemplo, aponta para um “debate interminável entre o político, o médico, o econômico, o jurídico e o religioso acerca das questões da droga3 ou da despenalização do aborto (...) em ordem à regulação da experiência dessas questões” (2000, p. 192).
2) A autonomização do campos dos medias e sua relação com os demais campos
As reflexões teóricas apresentadas até aqui sobre algumas problemáticas envolvendo a autonomização dos campos sociais, servem de base para as discussões referentes a autonomização do campo dos média, considerando, sobretudo, suas especificidades e suas relações como os demais campos sociais autônomos. Por extensão servem também de pano de fundo para as reflexões sobre o conceito de midiatização4 enquanto processos midiáticos, aliás, tão caros hoje ao debate teórico referentes ao campo da comunicação5.
As reflexões propostas constituem-se como pressupostos teóricos de base para a compreensão do contexto social e institucional, cuja problemática das (da prevenção as) drogas é, de diferentes formas tratada e publicizada. Elas são oriundas da recuperação de estudos e interrogações pertinentes ao tratamento dado às questões que envolvem a construção e a legitimação dos conhecimentos especializados na sociedade: suas tensões, lutas e os limites existentes entre eles, bem como seus mais diferentes modos de manter sua legitimidade.
No contexto da modernidade, tratando-se da autonomização dos campos sociais, o universo simbólico se pluraliza no momento em que ele não é mais sagrado (declínio da religião), logo, a linguagem alcança um papel fundamental nos diferentes âmbitos culturais. “O relevo que estas transformações culturais conferem a linguagem deve ser tido em conta para compreender o processo de autonomização dos campos sociais e, em particular, a formação dos campos dos medias6 como uma resposta funcional às crescentes exigências comunicacionais induzidas pelos outros campos sociais” (Esteves, 1998, p. 117)7.
A constituição e a autonomização dos campos do media, ocorrem na modernidade tardia frente ao desenvolvimento da simbólica própria dos campos sociais (relações entre simbólicas isso é “conseqüência dos seus processos de regulação interna, bem como dos fluxos com o exterior – as relações entre diferentes campos”.) formal e informal, cuja constituição e autonomização estão associadas à primeira modernidade)8 que, em síntese, necessitam assegurar sua visibilidade pública.
³ Grifo meu.
4 Fausto Neto propõe esse conceito como uma prática social, de sentido. Trabalho apresentado no Encontro da Rede Prosul - Comunicação, Sociedade e Sentido, no seminário sobre Midiatização, UNISINOS. PPGCC, São Leopoldo, 19/12/2005 e 06/01/2006.
5
Esses conceitos, incluídos no projeto de tese, serão retomados e
desenvolvidos durante a investigação.
6 Grifo meu.
7 Para Esteves (1998,
p. 117)
Diante da autonomização e a constituição moderna dos campos sociais, tem-se aquilo que Rodrigues (2000) chama de publicidade que é “resultante da compatibilização entre a legitimação de um campo com a legitimidade dos diferentes campos sociais” (Ibidem, 2000, p. 199). O processo mencionado segue o autor, está na origem “da autonomização e da constituição de um campo especializado na regulação dos valores da publicidade (...): o campo dos media”. Media é uma expressão abstrata utilizada aqui no sentido de designar uma instituição, dotada de legitimidade com vistas a capitanear à gestão dos dispositivos de mediação da experiência e dos diferentes campos sociais. A publicidade, por exemplo, é um desses domínios da experiência que partilha essa característica.
Por fim, a importância do campo dos media hoje é indiscutível, sobretudo, no que diz respeito a sua competência de tematização pública e de sua “publicização do confronto entre os discursos especializados em torno das questões suscitadas por esses domínios” (Rodrigues 2000, p.202).
3) As drogas como problemática social multifacetada e a construção do objeto de estudo
A problemática das drogas abrange os mais variados campos sociais, ela apresenta-se como um fenômeno complexo, multifacetado e heterogêneo. O uso indevido de drogas se constitui como um amplo desafio da sociedade atual, ele ultrapassa o âmbito individual para situar-se nas relações que este estabelece com a sociedade, logo, torna-se objeto social de preocupação dos mais diferentes campos sociais: político, jurídico, médico, psicológico, religioso, econômico, educacional, etc.
As discussões sobre drogas mais conhecidas entre os especialistas, diante das tematizações comuns na mídia, giram em torno da questão do uso, abuso, tráfico, dependência química e prevenção. O foco desse trabalho, circunscrito no campo da comunicação, está situado no âmbito da prevenção ao uso indevido de drogas enquanto um processo de construção midiática, portanto, trataremos especificamente de uma campanha antidrogas realizada por uma ONG (CTDia9 com sede em Curitiba - PR).
A questão norteadora do trabalho gira em torno do seguinte: como o campo midiático é acionado pela CTDia para tratar da questão das drogas em termos de prevenção? Como ela elege um “formato diferente10”- frente a tantas outras instituições que tratam sobre as drogas -, para construir um ponto de vista sobre elas, tornando-o público através de uma campanha antidrogas, segundo procedimentos, operações metodológicas fundamentalmente midiáticas11?
8 Ver Adriano Rodrigues (2000, p. 197, 198).
9 Comunidade Terapêutico Dia.
10 Trataremos dessa questão no decorrer do trabalho.
O fenômeno das drogas apresentado a partir de seu caráter fundamentalmente heterogêneo, nos permite vários acessos para a realização de pesquisas, reflexões e debates12, contudo, nessa ocasião como já foi mencionado, vamos situá-lo no campo da comunicação.
Considerando a veiculação da problemática das drogas através da mídia, nota-se que os campos especializados do conhecimento tratam sobre o fenômeno sob diferentes ângulos, algumas vezes as visões de mundo convergem para dentro de um mesmo contexto interpretativo, em outros momentos as opiniões são apresentadas de modo paradoxal engendrando tensões entre os especialistas. Os debates controvertidos e polêmicos, veiculados pela mídia quando se trata da questão das drogas, são freqüentes. Mesmo no interior de um mesmo campo de conhecimento podemos identificar tensões, debates controvertidos a respeito do tema, sobretudo, quando se estabelece um confronto em termos de choque de ideologias no que diz respeito ao posicionamento dos especialistas13.
O fato é que a problemática das drogas engendra diferentes significações na medida em que
os campos sociais lançam suas perspectivas sobre ela. Eles se apropriam, realizam interpretações, teorizam e formam conjecturas a cerca das drogas. Isso significa dizer que os campos referidos produzem (efeitos de) sentidos sobre elas, portanto, seus especialistas, através de seus discursos dominantes impõem visões de mundo, juízos de valores, preceitos, opiniões, imagens e representações, seja quanto ao seu uso e abuso, ou seja em termos de dependência química e o comportamento do próprio dependente14. Assim, constroem concepções sociais (no nível “macrossociológico” que é da ordem da estabilidade social), significados e significações, heurísticas, representações, tipificações, estereótipos e preconceitos, impressões que afetam os sujeitos frente a publicização dos discursos e das práticas que envolvem as drogas, logo, contribuindo na formação de atitudes sociais em torno delas. As campanhas antidrogas, veiculadas através da publicidade, considerando a especificidade deste dispositivo midiático, tem um papel importante nesse processo.11 Entende-se que as operações midiáticas trazem, nessas circunstâncias, heterogeneidade de outros campos, tais como: político, médico, jurídico, pedagógico, psicológico, etc.
12 O acesso a esse fenômeno pode ser estabelecido através do campo político, médico, antropológico, psicanalítico, sociológico, jurídico, religioso, econômico, da psicologia, administração, enfermagem, assistência social, etc. Nesse caso, é preciso considerar e resguardar suas respectivas especificidades e perspectivas, aproximações e distanciamentos entre os campos. Estamos cônscios dos entrelaçamentos possíveis e existentes entre eles, bem como das posições tensionais que se estabelecem entre os campos, que engendram controvérsias em torno da problemática tratada.
13 Dentro do campo da prevenção ao uso de drogas, no que se refere a repressão, proibição e descriminalização das drogas, por exemplo, identificamos um debate acirrado entre especialistas dos campos da medicina, psicologia e justiça. A política de Redução de Danos, bem como a nova legislação sobre drogas, podem ser concebidas como dispositivos geradores de debates controvertidos entre os especialistas que tratam sobre a questão.
14 Um trabalho interessante que a profunda tias questões chama-se:“Mídia e drogas. O perfil do uso e do usuário na imprensa brasileira”. ANDI - Agência de notícias dos direitos da infância & Programa nacional de DST/AIDS do Ministério da Saúde, coordenação de Veet Vivarta, 2005.)
Um dos importantes acessos aos posicionamentos dos especialistas, frente aos diferentes campos sociais que tratam das drogas, restritos, em geral, aos foros de discussões (reuniões acadêmicos/cientificas e especializadas), podem ser através da análise das produções discursivas em diferentes dispositivos comunicacionais. Portanto, uma das principais vias de acesso a essa temática é a mídia, sobretudo, porque ela atualmente exerce um papel fundamental na publicização das problemáticas sociais, nesse caso, a problemática social das drogas se destaca como uma das mais importantes e controvertidas. Começamos a perceber hoje no Brasil, uma importante valorização de análises e reflexões sobre o debate público referentes as drogas por meio da abordagem midiática, inclusive através da intersecção de campos especializados e o campo comunicacional15. É diante desse desafio que apresentamos nossa proposta de pesquisa dentro campo da comunicação.
Por fim, focalizamos a reflexão no âmbito da produção discursiva em termos de prevenção ao uso de drogas, sobretudo, como já mencionamos, ao considerarmos os processos midiáticos envolvidos numa campanha antidrogas. Queremos saber, mais especificamente, sobre uma “nova experiência” em que a mídia (dispositivo publicitário) é inserida, diante de sua competência e importância atual, no interior de uma ONG. A nossa curiosidade foi instigada pela existência de uma “Oficina de Comunicação Integrada” no interior da CTDia, responsável pela criação das peças publicitárias de campanhas antidrogas, tendo a supervisão um publicitário e o apoio de 30 importantes empresas de mídia, além disso, conta com a participação efetiva de pacientes usuários do serviço (dependentes químicos) para a produção das peças. Daí, poder pensar nas intersecções travadas entre a mídia (o campo da comunicação e outros campos que tratam das drogas) e a entidade referida, outrossim, saber como a mídia, através de seus processos midiáticos, tematiza (lida com) a problemática social das drogas em termos de prevenção. Processos midiáticos aqui apresentado, “como um conjunto de práticas comunicacionais pertencentes ao campo das mídias, que operam segundo diferentes linguagens, por meio de dispositivos como jornal, televisão, rádio, fotografia, publicidade, revista, produção editorial, produção eletrônica, comunicação organizacional, vídeo e outros processo emergentes” Gomes (2004, p. 17). Aliás, várias dessas práticas comunicacionais estão envolvidas no processo de produção das campanhas antidrogas produzidas na CTDia através da “Oficina de comunicação Integrada”. 15 A justificativa de minha proposta de tese (enquanto psicólogo inserido no campo da comunicação), num primeiro momento, girou em torno de preocupações e indagações oriundas de debates controversos produzidos na clínica de dependência química (tratamento realizado em grupos), entre pacientes e familiares em torno do tema drogas. Pude constatar que as representações (aliás, fomentadas e reforçadas por especialistas) eram baseadas em diferentes concepções veiculadas através da mídia (mencionado expressamente nas falas dos pacientes e familiares). A partir dessa experiência, incluí no processo terapêutico leituras e discussões de materiais midiáticos (conteúdos de TV, filmes em vídeos/DVD, rádio, jornais e revistas) envolvendo a temática das drogas.
As discussões sobre drogas mais conhecidas entre os especialistas, diante das tematizações comuns na mídia, giram em torno da questão do uso, abuso, tráfico, dependência química e prevenção. O foco desse trabalho, circunscrito no campo da comunicação, está situado no âmbito da prevenção ao uso indevido de drogas enquanto um processo de construção midiática, portanto, trataremos especificamente de uma campanha antidrogas realizada por uma ONG (CTDia9 com sede em Curitiba - PR).
A questão norteadora do trabalho gira em torno do seguinte: como o campo midiático é acionado pela CTDia para tratar da questão das drogas em termos de prevenção? Como ela elege um “formato diferente10”- frente a tantas outras instituições que tratam sobre as drogas -, para construir um ponto de vista sobre elas, tornando-o público através de uma campanha antidrogas, segundo procedimentos, operações metodológicas fundamentalmente midiáticas11?
8 Ver Adriano Rodrigues (2000, p. 197, 198).
9 Comunidade Terapêutico Dia.
10 Trataremos dessa questão no decorrer do trabalho.
O fenômeno das drogas apresentado a partir de seu caráter fundamentalmente heterogêneo, nos permite vários acessos para a realização de pesquisas, reflexões e debates12, contudo, nessa ocasião como já foi mencionado, vamos situá-lo no campo da comunicação.
Considerando a veiculação da problemática das drogas através da mídia, nota-se que os campos especializados do conhecimento tratam sobre o fenômeno sob diferentes ângulos, algumas vezes as visões de mundo convergem para dentro de um mesmo contexto interpretativo, em outros momentos as opiniões são apresentadas de modo paradoxal engendrando tensões entre os especialistas. Os debates controvertidos e polêmicos, veiculados pela mídia quando se trata da questão das drogas, são freqüentes. Mesmo no interior de um mesmo campo de conhecimento podemos identificar tensões, debates controvertidos a respeito do tema, sobretudo, quando se estabelece um confronto em termos de choque de ideologias no que diz respeito ao posicionamento dos especialistas13.
O fato é que a problemática das drogas engendra diferentes significações na medida em que
os campos sociais lançam suas perspectivas sobre ela. Eles se apropriam, realizam interpretações, teorizam e formam conjecturas a cerca das drogas. Isso significa dizer que os campos referidos produzem (efeitos de) sentidos sobre elas, portanto, seus especialistas, através de seus discursos dominantes impõem visões de mundo, juízos de valores, preceitos, opiniões, imagens e representações, seja quanto ao seu uso e abuso, ou seja em termos de dependência química e o comportamento do próprio dependente14. Assim, constroem concepções sociais (no nível “macrossociológico” que é da ordem da estabilidade social), significados e significações, heurísticas, representações, tipificações, estereótipos e preconceitos, impressões que afetam os sujeitos frente a publicização dos discursos e das práticas que envolvem as drogas, logo, contribuindo na formação de atitudes sociais em torno delas. As campanhas antidrogas, veiculadas através da publicidade, considerando a especificidade deste dispositivo midiático, tem um papel importante nesse processo.11 Entende-se que as operações midiáticas trazem, nessas circunstâncias, heterogeneidade de outros campos, tais como: político, médico, jurídico, pedagógico, psicológico, etc.
12 O acesso a esse fenômeno pode ser estabelecido através do campo político, médico, antropológico, psicanalítico, sociológico, jurídico, religioso, econômico, da psicologia, administração, enfermagem, assistência social, etc. Nesse caso, é preciso considerar e resguardar suas respectivas especificidades e perspectivas, aproximações e distanciamentos entre os campos. Estamos cônscios dos entrelaçamentos possíveis e existentes entre eles, bem como das posições tensionais que se estabelecem entre os campos, que engendram controvérsias em torno da problemática tratada.
13 Dentro do campo da prevenção ao uso de drogas, no que se refere a repressão, proibição e descriminalização das drogas, por exemplo, identificamos um debate acirrado entre especialistas dos campos da medicina, psicologia e justiça. A política de Redução de Danos, bem como a nova legislação sobre drogas, podem ser concebidas como dispositivos geradores de debates controvertidos entre os especialistas que tratam sobre a questão.
14 Um trabalho interessante que a profunda tias questões chama-se:“Mídia e drogas. O perfil do uso e do usuário na imprensa brasileira”. ANDI - Agência de notícias dos direitos da infância & Programa nacional de DST/AIDS do Ministério da Saúde, coordenação de Veet Vivarta, 2005.)
Um dos importantes acessos aos posicionamentos dos especialistas, frente aos diferentes campos sociais que tratam das drogas, restritos, em geral, aos foros de discussões (reuniões acadêmicos/cientificas e especializadas), podem ser através da análise das produções discursivas em diferentes dispositivos comunicacionais. Portanto, uma das principais vias de acesso a essa temática é a mídia, sobretudo, porque ela atualmente exerce um papel fundamental na publicização das problemáticas sociais, nesse caso, a problemática social das drogas se destaca como uma das mais importantes e controvertidas. Começamos a perceber hoje no Brasil, uma importante valorização de análises e reflexões sobre o debate público referentes as drogas por meio da abordagem midiática, inclusive através da intersecção de campos especializados e o campo comunicacional15. É diante desse desafio que apresentamos nossa proposta de pesquisa dentro campo da comunicação.
Por fim, focalizamos a reflexão no âmbito da produção discursiva em termos de prevenção ao uso de drogas, sobretudo, como já mencionamos, ao considerarmos os processos midiáticos envolvidos numa campanha antidrogas. Queremos saber, mais especificamente, sobre uma “nova experiência” em que a mídia (dispositivo publicitário) é inserida, diante de sua competência e importância atual, no interior de uma ONG. A nossa curiosidade foi instigada pela existência de uma “Oficina de Comunicação Integrada” no interior da CTDia, responsável pela criação das peças publicitárias de campanhas antidrogas, tendo a supervisão um publicitário e o apoio de 30 importantes empresas de mídia, além disso, conta com a participação efetiva de pacientes usuários do serviço (dependentes químicos) para a produção das peças. Daí, poder pensar nas intersecções travadas entre a mídia (o campo da comunicação e outros campos que tratam das drogas) e a entidade referida, outrossim, saber como a mídia, através de seus processos midiáticos, tematiza (lida com) a problemática social das drogas em termos de prevenção. Processos midiáticos aqui apresentado, “como um conjunto de práticas comunicacionais pertencentes ao campo das mídias, que operam segundo diferentes linguagens, por meio de dispositivos como jornal, televisão, rádio, fotografia, publicidade, revista, produção editorial, produção eletrônica, comunicação organizacional, vídeo e outros processo emergentes” Gomes (2004, p. 17). Aliás, várias dessas práticas comunicacionais estão envolvidas no processo de produção das campanhas antidrogas produzidas na CTDia através da “Oficina de comunicação Integrada”. 15 A justificativa de minha proposta de tese (enquanto psicólogo inserido no campo da comunicação), num primeiro momento, girou em torno de preocupações e indagações oriundas de debates controversos produzidos na clínica de dependência química (tratamento realizado em grupos), entre pacientes e familiares em torno do tema drogas. Pude constatar que as representações (aliás, fomentadas e reforçadas por especialistas) eram baseadas em diferentes concepções veiculadas através da mídia (mencionado expressamente nas falas dos pacientes e familiares). A partir dessa experiência, incluí no processo terapêutico leituras e discussões de materiais midiáticos (conteúdos de TV, filmes em vídeos/DVD, rádio, jornais e revistas) envolvendo a temática das drogas.
4) Campanha de prevenção as drogas como questão midiática
O campo midiático é sempre acionado para tratar de questões relativas a problemática das drogas16, entretanto, a veiculação do fenômeno sempre segue determinadas lógicas ou formatos já conhecidos, é comum a veiculação da temática das drogas através de telejornais, novelas, programas policiais, de entrevistas, propagandas antidrogas, etc.
Contudo, propomos investigar uma “nova lógica” que identificamos em uma campanha antidrogas produzida na “Oficina de comunicação Integrada” que funciona no interior da CTDia17. Assim, a pesquisa visa examinar os modos com que os processos midiáticos afetam as operações enunciativas sobre drogas, na produção de campanhas de prevenção, através de análise das estratégias desenvolvidas pela referida “oficina”, logo, o foco principal recai sobre a produção discursiva das campanhas de prevenção de drogas que são veiculadas na mídia.
A CTDia foi a entidade escolhida por tratar-se de uma ONG que oferece nova metodologia
para lidar com a questão do abuso de drogas, ela apresenta um modelo de semi-internamento em que os dependentes químicos ficam internados somente durante o dia, retornando ao convívio familiar.
É importante ressaltar que, no âmbito de prevenção o Governo Federal criou (anos 80) o “Sistema Nacional de Prevenção, Fiscalização e Repressão de Entorpecentes”. Através de alguns de seus órgãos oficiais desenvolveu (anos 90) amplas políticas de prevenção às drogas no intuito de reverter o problema relativo ao uso indevido pela população. São programas de ações sociais coordenadas que visam a tingir a opinião pública com uma variedade informações a respeito da problemática das drogas, uma das estratégias utilizadas para esse fim, são as campanhas antidrogas.
As ONG’s, por sua vez, voluntariamente, também tomaram para si a responsabilidade social em tratar do fenômeno. São iniciativas que compõem o chamado Terceiro Setor. No Brasil destacam-se inúmeras ONG’s que tratam da dependência química. Nessa ocasião, considerando nossa proposta, duas delas se destacam: APCD (Associação Parceria Contra as Drogas)18 e a CTDia (Comunidade Terapêutica Dia)19. Ambas promoveram as mais amplas e importantes campanhas antidrogas já produzidas no Brasil. As peças publicitárias das referidas campanhas, que alcançaram maior visibilidade e força de expressão na sociedade, são mesmo aquelas que foram veiculadas nos principais veículos de comunicação.16 Situação semelhante ao tratar de outros grande temas de interesse social.
17 A CTDia é uma entidade civil, não-governamental, sem fins lucrativos, de utilidade pública reconhecida, criada em 16 de janeiro de 2004, tem o foco no apoio à saúde e na ação social pela prevenção e tratamento do uso e abuso de substâncias psicoativas.
18 Criada em 1996 e inspirada no programa americano Partnership for a Drug Free América, é responsável pela maioria das campanhas antidrogas veiculadas até hoje no Brasil.
A partir de uma investigação exploratória preliminar (2005/2006), foi possível realizar uma comparação entre as propostas das campanhas da CTDia e da APCD. O resultado desse estudo, nos permitiu identificar algumas diferenças fundamentais entre elas. Encontramos algumas singularidades e especificidades na campanha antidrogas promovida pela CTDia, daí, surgiu o interesse pela investigação. As singularidades e especificidades não se encontram basicamente nas peças publicitárias, mas sim onde e como elas são produzidas, isto é: na própria sede (no próprio funcionamento) da CTDia, pois, foi através desse dispositivo que podemos identificar algumas particularidades interessantes, sobretudo, no momento em que focalizamos nossa atenção nas propostas de produção das campanhas e na própria produção das mesmas (de seus produtos, as peças publicitárias).
Uma das particularidades importantes que identificamos na comparação entre a CTIDia e a APCD, foi o fato de que a primeira possui sede própria e oferece um novo modelo de tratamento - internação Dia - a “DQ20” através de uma equipe formada por vários especialistas. Além disso, observamos o fato, de que a APCD (semelhante a grande maioria de entidades brasileiras que promovem campanhas antidrogas) não possui uma entidade concreta, uma sede de tratamento a “DQ” e, os pacientes não estão envolvidos diretamente nessas campanhas, como é o caso específico da proposta da CTDia. Por fim, o que mais nos chamou a atenção, foi mesmo a lógica apresentada na produção da campanha promovida pela CTDia, ou seja: o processo como a referida campanha foi (e é)21 desenvolvida.
19 A CTDia, com sede em Curitiba (PR), é uma ONG sem fins lucrativos, é uma entidade voltada à recuperação de dependentes químicos conduzida pela Associação Padre João Ceconello e grupos de ajuda mútua da Pastoral da Sobriedade. Ela “propõe modelo religioso-biopsicossocial aberto a todos, não importando credo, sexo ou condição social” (Engel Paschoal: “Responsabilidade Social e Ética: Campanha contra drogas feita pelos próprios usuários” (16/01/2006). SITE: http://www.wmulher.com.br/template.asp? ( acessado dia 10/05/2007, às 10:00).
20 Dependente químico.
21 Há previsão de uma nova, importante e inédita campanha de prevenção ao uso de drogas, com vistas a ser veiculada para todo o Brasil, através dos mais importantes veículos de comunicação, a partir do final no ano de 2007 e durante 2008.)
As ONG’s, por sua vez, voluntariamente, também tomaram para si a responsabilidade social em tratar do fenômeno. São iniciativas que compõem o chamado Terceiro Setor. No Brasil destacam-se inúmeras ONG’s que tratam da dependência química. Nessa ocasião, considerando nossa proposta, duas delas se destacam: APCD (Associação Parceria Contra as Drogas)18 e a CTDia (Comunidade Terapêutica Dia)19. Ambas promoveram as mais amplas e importantes campanhas antidrogas já produzidas no Brasil. As peças publicitárias das referidas campanhas, que alcançaram maior visibilidade e força de expressão na sociedade, são mesmo aquelas que foram veiculadas nos principais veículos de comunicação.16 Situação semelhante ao tratar de outros grande temas de interesse social.
17 A CTDia é uma entidade civil, não-governamental, sem fins lucrativos, de utilidade pública reconhecida, criada em 16 de janeiro de 2004, tem o foco no apoio à saúde e na ação social pela prevenção e tratamento do uso e abuso de substâncias psicoativas.
18 Criada em 1996 e inspirada no programa americano Partnership for a Drug Free América, é responsável pela maioria das campanhas antidrogas veiculadas até hoje no Brasil.
A partir de uma investigação exploratória preliminar (2005/2006), foi possível realizar uma comparação entre as propostas das campanhas da CTDia e da APCD. O resultado desse estudo, nos permitiu identificar algumas diferenças fundamentais entre elas. Encontramos algumas singularidades e especificidades na campanha antidrogas promovida pela CTDia, daí, surgiu o interesse pela investigação. As singularidades e especificidades não se encontram basicamente nas peças publicitárias, mas sim onde e como elas são produzidas, isto é: na própria sede (no próprio funcionamento) da CTDia, pois, foi através desse dispositivo que podemos identificar algumas particularidades interessantes, sobretudo, no momento em que focalizamos nossa atenção nas propostas de produção das campanhas e na própria produção das mesmas (de seus produtos, as peças publicitárias).
Uma das particularidades importantes que identificamos na comparação entre a CTIDia e a APCD, foi o fato de que a primeira possui sede própria e oferece um novo modelo de tratamento - internação Dia - a “DQ20” através de uma equipe formada por vários especialistas. Além disso, observamos o fato, de que a APCD (semelhante a grande maioria de entidades brasileiras que promovem campanhas antidrogas) não possui uma entidade concreta, uma sede de tratamento a “DQ” e, os pacientes não estão envolvidos diretamente nessas campanhas, como é o caso específico da proposta da CTDia. Por fim, o que mais nos chamou a atenção, foi mesmo a lógica apresentada na produção da campanha promovida pela CTDia, ou seja: o processo como a referida campanha foi (e é)21 desenvolvida.
19 A CTDia, com sede em Curitiba (PR), é uma ONG sem fins lucrativos, é uma entidade voltada à recuperação de dependentes químicos conduzida pela Associação Padre João Ceconello e grupos de ajuda mútua da Pastoral da Sobriedade. Ela “propõe modelo religioso-biopsicossocial aberto a todos, não importando credo, sexo ou condição social” (Engel Paschoal: “Responsabilidade Social e Ética: Campanha contra drogas feita pelos próprios usuários” (16/01/2006). SITE: http://www.wmulher.com.br/template.asp? ( acessado dia 10/05/2007, às 10:00).
20 Dependente químico.
21 Há previsão de uma nova, importante e inédita campanha de prevenção ao uso de drogas, com vistas a ser veiculada para todo o Brasil, através dos mais importantes veículos de comunicação, a partir do final no ano de 2007 e durante 2008.)
5) Novidade na produção midiática de uma campanha antidrogas
Reflexões sobre a “Oficina de Comunicação Integrada” no interior da CTDia.
Dentre outras atividades que envolvem o tratamento dos pacientes “DQ” na CTDia, encontramos a que mais nos interessa na proposta de nossa pesquisa: a “Oficina de Comunicação Integrada”. Ela funciona no interior da CTDia e foi idealizada pela agência de comunicação OpusMúltipla (Curitiba – PR). Segundo Roberto Cavalher22, “a idéia da Oficina, segundo surgiu como uma forma de avaliar as diferentes abordagens das campanhas antidrogas do Brasil e de outros países, ouvindo os maiores especialistas no assunto: os dependentes químicos23". O grupo de pessoas que trabalham nessa oficina é composto por ex-dependentes químicos voluntários. Esse grupo estudou, no período de cinco meses, os conceitos básicos da publicidade, logo, utilizando-se de suas próprias experiências e vivências, criou uma campanha publicitária antidrogas, que ficou conhecida em todo o Brasil através de sua veiculação nos principais veículos de comunicação, com o slogan: “As drogas matam de várias maneiras. Aprenda a viver sem elas. Procure a CTDia”.
A CTDia, através da “Oficina de Comunicação Integrada”, mentem parceria com várias empresas do setor de mídia exterior. Nos últimos nove meses de 2005 foram realizadas atividades (na oficina) referentes a campanha antidrogas, que passou a ser veiculadas na mídia a partir do final do ano de 2005 e janeiro de 2006, em todo o Brasil. O trabalho produzido na oficina acabou empolgando profissionais de diversas empresas do Paraná e de São Paulo, todos voluntários que passaram a colaborar com a campanha da CTDia.
A campanha, de início foi composta por cinco filmes televisivos, um “rap” para rádio - todos criados a partir das experiências do “DQ” -, logo, causou importante impacto para usuários e familiares. A idéia motivou tanto que pacientes e publicitários envolvidos na campanha acabaram produzindo também quatro anúncios impressos, materiais de mídia exterior, site na internet e quase todo tipo de peça de apoio. Foi uma verdadeira “campanha de comunicação integrada”, foi incluída nas atividades as mais diversas disciplinas: propaganda, marketing direto, design, web e assessoria de imprensa. Uma outra informação importante é que, pelo impacto promovido, foram criadas duas outras oficinas dentro da oficina referida: “a do documentarista alemão Tobias Kohl, com alunos da Academia Internacional de Cinema de Curitiba, e a dos irmãos músicos Paulo e Jean Garfunkel, da produtora paulista Insonoris, que coordenaram a utilização do ritmo e da poesia da cultura "hip hop" contra as drogas”.
Assim, a principal questão da pesquisa no momento é: como uma ONG (CTDia) especializada em tratamento de dependentes químicos e em prevenção ao uso indevido de drogas, aciona o campo midiático para trabalhar a referida questão? Enfim, como ela elege um “formato diferente”, dentre tantas outras instituições, para construir um ponto de vista a se tornar público, através de campanha, segundo procedimentos, operações metodológicas fundamentalmente midiáticas24?
